segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Abrindo o trabalho para a rede

Esta é uma interessante mudança de paradigma para pensar o funcionamento das ciências humanas no espaço digital, e particularmente a produção científica em língua portuguesa no espaço digital. A idéia de que podemos colaborar em rede, trocar idéias, informações, produções acadêmicas e culturais que estejam dentro dos princípios do opensource ou creative commons é de grande interesse. E é neste espírito que abro a conversa sobre o trabalho que vamos desenvolver juntos no espaço digital com países que também utilizam a língua portuguesa no mundo digital.

Nossa hipótese de trabalho é que o investimento nas discussões sobre multilingüismo em paises de língua portuguesa pode facultar novas maneiras de compreender minorias lingüísticas em paises lusófonos, respeitando as peculiaridades de cada povo no que diz respeito ao tipo de discurso que seja mais indicado para cada um, e não simplesmente impondo um modelo comum posto como norma.

Simplificando a questão, de acordo com estimativas da Unesco, as línguas que não se estabelecerem fortemente no espaço digital, correm o risco de desaparecimento em duas ou três gerações. Uma criança que não terá acesso ao espaço digital em sua língua materna, deverá desenvolver o bilingüismo, e assim um idioma que não apresenta recursos para informações e pesquisa no espaço digital, deverá gradualmente ser deixado de lado nesta época de automatização de dados.

Dentro deste quadro, depois de ter realizado um colóquio de três dias sobre Tecnologias de Linguagem (cf. http://portal.unesco.org/ci/en/ev.php-URL_ID=19898&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html ), em set de 2005 na sede da Unesco, fui convidada a produzir junto com esta instituição uma proposta para a língua portuguesa no espaço digital, aprovada como a primeira Cátedra Unesco que trata deste tema: o multilinguismo no espaço digital.

Aceitei o convite com o acordo de meus colegas de trabalho na Unicamp. O projeto foi feito e aprovado na Unesco entre 2005 e 2006. O acordo de criação da Catedra assinado entre a Unesco e a Unicamp em junho de 2007, e desde 2006 estou encaminhando acordos entre a Unicamp e Instituições de Nível Superior de Angola, Moçambique, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe, Guiné Bissau, Índia, China, Timor Leste e Portugal, tendo a Unesco como instituição parceira.

E agora começam as questões práticas, temáticas, teóricas, tecnológicas... no mundo digital. E é aqui que começa nossa conversa.

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